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Dani-Gataplastizada




 Oi gente,

 

Como prometido, hoje eu vim contar como foi o meu primeiro dia de academia.

Eu confesso que entrei meio desconfiada na academia.
Bom, vou mais além, eu estava literalmente com vergonha de estar lá.
Eu tinha, desde há muito tempo, receio de estar em ambientes onde o corpo é colocado em valor, como academias, lojas de esportes, escolas de dança, coisas assim.
Fazer a avaliação física já não foi um passo fácil de dar. Logo pelo telefone, o cara me fala que era para ir de bermuda e top.
Imaginem só, EUZINHA, de top???
Claro, ele imaginou que eu fosse uma pessoa "normal" (ainda vou achar um outro termo, não gosto de usar esse, mas tô com sono e não me vem um melhor à cabeça), uma pessoa "não-obesa" e assim, que eu poderia usar top.
Mas eu era, ou melhor, eu sou uma pessoa obesa que não usa top, que tem vergonha de usar top, que tem vergonha de fazer avaliação física, que tem vergonha de estar ali.
Pois é, isso não é fácil de assumir também. Porque eu sou uma pessoa bem resolvida, assumidérrima da minha obesidade, mas tudo tem seu limite, e meu limite era aquele.
Bom, adiei o quanto eu pude (quem segue meu blog sabe bem disso, eu passei três meses adiando), e um belo dia, eu cheguei lá no clube, sem marcar nada antes, me matriculei, paguei adiantado, para não poder voltar atrás, e fui procurar os instrutores, falando que eu queria fazer a avaliação física e que ia fazer musculação.
A instrutora (Rosemary Freitas) foi uma graça comigo, ela é professora de educação física. Fez uma avaliação minunciosa e na segunda feira seguinte, eu comecei a muscu.
Entrei tremendo na academia, cheia de vergonha, de ansiedade, de medo, de dúvidas. Os instrutores vieram me receber e se apresentar.
Elaboraram comigo um programa para fortalecer meus músculos, eliminar peso e modelar o corpo. E me colocaram para malhar - 9 km de bicicleta, 3km de esteira e depois os aparelhos de musculação.
E eu fui fazendo. Claro, no primeiro dia eu fiz só uns 5 km de bicicleta e 1 km de esteira. E as séries dos aparelhos.
E fui olhando de lado, ninguém estava olhando para mim como se eu fosse uma atração do circo de horrores. Muito pelo contrário, eu não destoava de ninguém, não dava para ver ou saber que eu havia pesado 131 quilos, que eu era uma obesa morbida, que eu era "diferente", que eu era gastroplatizada, que eu tenho uma história de luta e um combate contra a obesidade que venho travando há anos. Não dava pra saber nada de mim, além do fato de que eu era mais uma, malhando na academia.
Olhano para o espelho, eu não via aquela Dani imensa, onde a gordura saltava aos olhos, tipo - a primeira a ser identificada, a que mais chama a atenção. Eu vi uma moça mais ou menos igual às outras, de roupa de ginástica, malhando, como qualquer outra pessoa, passando despercebida.
Terminada a musculação, eles me ensinaram a fazer um alongamento que é tudo de bom, para que eu não sentisse dores e eu fui dispensada.
Peguei minhas coisas e fui embora. Quando eu estava no estacionamento do clube, eu comecei a pensar em tudo aquilo.
Era eu, eu mesma, que há menos de um ano atrás estava com mil problemas de saúde e pesando 131 quilos, que estava ali, naquele momento, saindo da primeira aula de musculação.
Eu, que havia sido proibida, pelos médicos, de fazer exercícios, de correr, de carregar muito peso, pois perigava ter um infarto, que estava ali, andando sem fazer esforço, naquele estacionamento, após ter feito aproximadamente 1 hora e meia de esporte.
Eu, que não aguentava subir um quarteirão sem ficar com falta de ar, vermelha que nem um pimentão e suando, que estava saindo da academia, como se nada tivesse acontecido.
 
Era eu, que me senti como há muitos anos não me sentia, uma pessoa "NORMAL", "Não-obesa", uma vitoriosa, em todos os sentidos do termo, não só por ter emagrecido, não só por ter operado, não só por ter feito musculação, mas, E talvez sobretudo, por ter dado a cara a tapa.
Por ter tido coragem de enfrentar esse mundo que me assustava tanto, que me intimidava.
Por ter descoberto o quanto é gostoso e salutar fazer exercícios, num corpo sadio.
Por ter conseguido reencontrar um corpo sadio.
Por me reconciliar com as palavras SADIO e SAUDÁVEL.

E pensando em tudo isso, eu caí em prantos. Chorei, emocionada, por me sentir uma pessoa normal, capaz de fazer exercícios. Não me senti mais uma pessoa limitada, uma pessoa pela metade, uma pessoa excluída. Eu me senti integrada como todas as outras pessoas da academia.

Gente, não é, não está sendo fácil admitir tudo isso aqui para vocês. Mas eu precisava colocar isso pra fora. Eu quero repartir com vocês esse sentimento.
Fiquei com receio de magoar alguém falando assim. Eu não quero ofender ninguém. Que ninguém se sinta visado. Eu estou falando de mim, só de mim, e da minha percepção do mundo de antes e de hoje.
E da maneira como eu mudei, para que o mundo mudasse ao meu redor também.
Eu não chorei de tristeza, eu chorei de emoção, de felicidade, por ter conseguido essa conquista tão grande na minha vida. A vitória de viver, viver completamente, viver integralmente. A vitória sob a doença, essa doença tão triste que é a obesidade. A vitória em prol da saúde, física e mental.

O próximo passo é continuar a academia e criar coragem para entrar na piscina. Minha meta é passar o verão na piscina do clube.

Gente, hoje (23/08) é aniversário da Cida - http://enfimpossosermagra.weblogger.terra.com.br/ Dêem uma passadinha por lá para dar um beijo nela, tá?

Feliz Aniversário Cida!!! Que Deus te abençoe e ilumine. Um beijo cheio de carinho.

beijos mil,
Dani-gataplastizada



Escrito por Dani-Gataplastizada às 12:05:58 AM
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